PF FAZ BUSCAS NA SSP-AM E MIRA EX-SECRETÁRIO EM INVESTIGAÇÃO ELEITORAL
Operação apura possível uso de servidores, veículo oficial e estrutura pública em benefício de campanha; MPF confirmou informações sobre as suspeitas, enquanto SSP-AM anunciou exoneração de oito servidores
A operação realizada na manhã desta quinta-feira, 1, na Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e em endereços ligados ao ex-secretário Marcus Vinícius Oliveira de Almeida, candidato a deputado estadual pelo Podemos, ganhou novos detalhes e passou a repercutir fortemente na reta final das eleições.
A investigação tem natureza eleitoral e apura a possível utilização da estrutura da Segurança Pública em benefício de campanha. Segundo informações encaminhadas pelo Ministério Público Federal (MPF) à imprensa, a apuração aponta para o uso continuado de um veículo oficial da SSP-AM durante a campanha e para o emprego de servidores públicos, em horário de expediente, em atividades político-partidárias. A Crítica
PF cumpriu mandados na SSP-AM e na residência do ex-secretário
Os agentes federais realizaram buscas na sede da SSP-AM, no bairro Santo Agostinho, e na residência de Marcus Vinícius, em Adrianópolis. A operação ocorreu três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo, 4.
Durante as diligências na residência do ex-secretário, foi apreendida a quantia de R$ 100 mil em espécie, segundo veículos que acompanharam a operação. Também foram relatadas apreensões de documentos e outros materiais que deverão passar por análise no curso da investigação.
A existência do dinheiro apreendido, contudo, não significa, por si só, comprovação de crime. A origem e a eventual relação dos valores com os fatos investigados ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Qual é o papel da Polícia Federal na investigação?
Um ponto importante que surgiu após a operação é a participação de diferentes instituições.
O MPAM informou oficialmente que o pedido de busca e apreensão foi feito pelo Ministério Público Federal, depois que informações levantadas por setores do próprio Ministério Público Estadual foram encaminhadas ao MPF. O MPAM afirmou que sua participação ficou restrita à organização e ao auxílio na execução das medidas. A operação foi realizada pela Polícia Federal sob condução do Ministério Público Eleitoral.
Até a manhã desta sexta-feira, 2, não localizamos uma nota específica da Polícia Federal no Amazonas detalhando publicamente essa operação na SSP-AM. Na página oficial da PF, as divulgações de 1º de outubro sobre o Amazonas tratam de outras ações eleitorais, como a apreensão de R$ 1,64 milhão em uma agência bancária e a apreensão de mais de R$ 27 mil em uma aeronave, mas não há, entre essas publicações oficiais, uma nota específica detalhando a operação contra o ex-secretário.
Por isso, os detalhes sobre o objeto da investigação vêm, até o momento, principalmente das informações divulgadas pelo MPF/MPAM e das reportagens que tiveram acesso aos esclarecimentos dos órgãos.
SSP-AM anuncia exoneração de oito servidores
Após a operação, a Secretaria de Segurança Pública informou que o caso não envolve a atual gestão da pasta e que a investigação está relacionada à gestão anterior.
Em nota, a SSP-AM afirmou ainda que oito servidores citados nas investigações foram exonerados e que a secretaria continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.
A medida amplia a repercussão administrativa do caso, mas não representa conclusão sobre a responsabilidade individual dos servidores ou do ex-secretário, que ainda são objeto de investigação.
Ex-secretário nega irregularidades
Marcus Vinícius Almeida confirmou que foi alvo das buscas e afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que confia na Justiça Eleitoral e que demonstrará no processo que não cometeu irregularidades.
O candidato também afirmou que deixou o comando da SSP-AM em março para disputar as eleições e classificou a investigação como de natureza eleitoral e política.
Até o momento, portanto, o caso permanece em fase de investigação. As buscas e apreensões constituem medidas destinadas à coleta de elementos probatórios e não equivalem a condenação ou comprovação definitiva das suspeitas.
Caso ocorre a dois dias da eleição
A operação ganha peso político e institucional por ocorrer na reta final da campanha eleitoral, justamente quando o Amazonas se prepara para votar neste domingo.
A investigação deverá avançar a partir da análise dos documentos, equipamentos e demais materiais apreendidos. Eventuais responsabilidades e a existência ou não de ilícitos eleitorais dependerão da apuração conduzida pelas autoridades competentes e das decisões da Justiça Eleitoral.
O Notícias da Amazônia continuará acompanhando o caso e atualizará as informações à medida que Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público Eleitoral ou Justiça Eleitoral divulgarem novos dados oficiais.

