MULHERES AMPLIAM PRESENÇA NO CONGRESSO, E JOANA DARC RECOLOCA AMAZONAS NA BANCADA FEMININA
Foto: Alberto César Araújo/Aleam: Joana Darc quebra jejum de 8 anos sem deputada
Número de mulheres eleitas para a Câmara e o Senado será o maior da história, mas representatividade ainda está distante da equidade; no Amazonas, Joana Darc quebra um jejum de oito anos sem deputada federal eleita
A presença feminina no Congresso Nacional dará um novo passo nas eleições de 2026. A próxima legislatura terá a maior bancada de mulheres da história da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, resultado que amplia a representação feminina na política brasileira, embora ainda mantenha as mulheres em posição minoritária nas duas Casas.
Na Câmara, 109 mulheres foram eleitas para as 513 cadeiras, contra 90 na eleição de 2022. O crescimento é de aproximadamente 21%. Mesmo com o avanço, as deputadas representarão pouco mais de um quinto do total de parlamentares.
O resultado chama atenção também porque ocorreu em um cenário de redução no número de candidaturas femininas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga de deputada federal. Em 2026, foram 2.820 candidatas.
No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas renovadas neste ano, o maior número registrado desde a redemocratização. Com o resultado, a Casa passará a contar com 18 senadoras, considerando as parlamentares que já possuem mandato e as novas eleitas.
Amazonas volta a ter uma mulher na Câmara Federal
No Amazonas, o resultado tem um significado histórico particular. Joana Darc foi eleita deputada federal em 2026, recolocando uma mulher na bancada amazonense da Câmara dos Deputados depois de oito anos de ausência feminina.
A última mulher eleita pelo Amazonas para a Câmara havia sido Conceição Sampaio, nas eleições de 2014. Ela exerceu mandato de 2015 a 2019. Nas eleições de 2018 e 2022, nenhuma mulher conseguiu uma das oito cadeiras destinadas ao estado.
A eleição de Joana Darc, portanto, não representa apenas a ampliação da bancada feminina nacional, mas também a retomada da representação política das mulheres amazonenses no Congresso.
A presença de uma deputada federal pelo Amazonas ganha importância adicional diante da dimensão territorial e das desigualdades sociais do estado, onde questões relacionadas à saúde, educação, proteção social, infraestrutura, comunidades rurais, povos tradicionais e políticas de proteção às mulheres dependem de representação política capaz de levar essas demandas à esfera federal.
Mulheres ainda estão longe da equidade
Apesar do crescimento, a representação feminina permanece distante da igualdade numérica.
Na Câmara dos Deputados, as 109 mulheres representarão cerca de 21% das 513 cadeiras. No Senado, as 18 mulheres corresponderão a aproximadamente 22,2% das 81 vagas.
A diferença mostra que o avanço eleitoral, embora significativo, ainda não coloca o Parlamento brasileiro próximo de uma composição equilibrada entre homens e mulheres.
O cenário também varia entre os estados. O Distrito Federal, por exemplo, terá três senadoras mulheres, tornando-se a única unidade da Federação com essa configuração. Já o Piauí continua sendo o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.
Mais mulheres não significa, necessariamente, mais pautas femininas
O crescimento da bancada feminina também provoca um debate sobre representatividade política.
A ampliação do número de mulheres no Parlamento não significa automaticamente que todas defenderão as mesmas pautas ou terão posições semelhantes sobre direitos das mulheres, igualdade de gênero, políticas sociais ou combate à violência.
A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli chama atenção justamente para essa diversidade. Segundo a pesquisadora, o aumento da presença feminina também amplia a diversidade de posições políticas entre as próprias mulheres, incluindo parlamentares que podem defender perspectivas diferentes ou até contrárias a determinadas pautas feministas.
Assim, a presença feminina no Congresso precisa ser analisada não apenas pela quantidade de mulheres eleitas, mas também pela diversidade de suas trajetórias, posições políticas e compromissos com políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
Cresce também a presença de mulheres negras
Outro dado importante das eleições de 2026 é o crescimento da representação de mulheres negras na Câmara dos Deputados.
Levantamento da organização Mulheres Negras Decidem contabilizou pelo menos 15 mulheres negras eleitas para a Câmara, contra nove em 2022 — crescimento de aproximadamente 66,6%.
Para a coordenadora política da organização, Tainah Pereira, o resultado também representa uma renovação geracional, já que muitas das mulheres negras eleitas são jovens.
O avanço, entretanto, não se repetiu no Senado. Das 12 mulheres eleitas para a Casa em 2026, nenhuma é negra.
A senadora Eliziane Gama, do Maranhão, que atualmente ocupa uma cadeira no Senado e se autodeclara negra, não conseguiu a reeleição. Também não foram eleitas Marina Silva, candidata por São Paulo, e Benedita da Silva, que disputou uma vaga pelo Rio de Janeiro.
Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado brasileiro, em 1998. Ao longo da história, apenas quatro mulheres negras chegaram ao Senado Federal.
Um novo capítulo para a representação feminina
O resultado das eleições de 2026 estabelece um marco importante para a participação das mulheres na política brasileira. A Câmara terá sua maior bancada feminina, o Senado também alcançará um número recorde de mulheres eleitas, e a presença de mulheres negras na Câmara avançará.
No Amazonas, a eleição de Joana Darc acrescenta um significado regional a esse movimento nacional.
Depois de oito anos sem uma mulher eleita para representar o estado na Câmara Federal, o Amazonas volta a ter uma voz feminina entre os parlamentares responsáveis por discutir leis, orçamento, políticas públicas e os grandes temas nacionais.
A eleição é, portanto, um avanço de representatividade. Mas o desafio seguinte será transformar presença em participação efetiva, representação em políticas públicas e mandato em resultados concretos para as mulheres brasileiras e, especialmente, para as mulheres amazonenses.
Com informações da Agência Brasil e adição Fábio de Souza

