SAÚDE PÚBLICA: DEBATE ENTRE OMAR AZIZ E MARIA DO CARMO EXPÕE DESAFIO DAS FILAS NO AMAZONAS
Frame - Facebook, trecho do debate
Candidatos apresentam propostas diferentes para ampliar o atendimento especializado e acelerar consultas, exames e cirurgias; programas em execução já levam serviços ao interior, mas o acesso e o tempo de espera continuam no centro das cobranças da população.
A saúde pública ganhou destaque no primeiro debate do segundo turno entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL), realizado nesta terça-feira, 13, pela TV Norte Amazonas. Perguntas de telespectadores colocaram em evidência problemas enfrentados por pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente a demora para conseguir consultas, exames e procedimentos especializados.
O confronto trouxe duas linhas de propostas: de um lado, a ampliação da estrutura de atendimento especializado; de outro, a utilização de hospitais, clínicas e laboratórios particulares para aumentar a oferta de serviços e reduzir o tempo de espera. As propostas foram apresentadas em meio a iniciativas que já estão em funcionamento no estado, incluindo programas de cirurgias, unidades móveis de saúde e atendimento a municípios do interior.
Omar Aziz promete trazer a Rede Sarah para Manaus
Ao responder a uma pergunta sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, Omar Aziz relatou sua experiência familiar e destacou os obstáculos enfrentados por quem precisa de atendimento especializado.
O candidato prometeu trazer para Manaus uma unidade da Rede Sarah Kubitschek, reconhecida nacionalmente pela atuação em reabilitação. Também mencionou iniciativas adotadas durante sua passagem pelo governo estadual, como a criação de uma secretaria voltada às pessoas com deficiência e melhorias de acessibilidade.
A proposta coloca em discussão a necessidade de ampliar a assistência às pessoas com deficiência e garantir continuidade ao tratamento, à reabilitação e ao acompanhamento multiprofissional.
Para os moradores do interior, um dos principais desafios é conseguir atendimento especializado sem precisar enfrentar deslocamentos frequentes até Manaus. A implantação de um serviço desse porte, caso concretizada, exigirá definição de estrutura, financiamento, profissionais, capacidade de atendimento e abrangência regional.
Maria do Carmo propõe parcerias com hospitais e laboratórios privados
Maria do Carmo concentrou suas propostas na redução das filas do sistema de regulação da saúde. A candidata afirmou que pretende adotar medidas nos primeiros 100 dias de um eventual governo para acelerar consultas, exames e cirurgias eletivas.
Entre as iniciativas anunciadas estão parcerias com hospitais privados para a realização de cirurgias, contratação de exames em laboratórios particulares e utilização da capacidade de hospitais privados durante o período noturno.
A candidata reconheceu que não seria possível eliminar permanentemente todas as filas, mas defendeu acelerar o atendimento de pacientes que esperam há meses por exames ou há mais de um ano por cirurgias eletivas.
O modelo proposto busca ampliar a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da estrutura pública existente. Para avaliar seus resultados, será necessário conhecer o custo dos contratos, os procedimentos contemplados, os critérios de prioridade e as metas de redução do tempo de espera.
O que já funciona no Amazonas para reduzir as filas?
Enquanto os candidatos apresentam suas propostas, o estado já conta com programas destinados a ampliar o acesso aos serviços especializados.
Um dos exemplos é o Opera+ Amazonas, programa estadual voltado à ampliação das cirurgias eletivas em especialidades como ortopedia, ginecologia, urologia, oftalmologia e cirurgia geral.
O relatório de atividades do governo referente a 2025 informa que o programa havia realizado mais de 26,2 mil cirurgias até outubro daquele ano, dentro de uma meta de ampliar a oferta de procedimentos. O documento também registra ações para aumentar a capacidade de atendimento hospitalar, inclusive em períodos noturnos, fins de semana e feriados.
Outro serviço é o Consultar Fila, disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Por meio da plataforma, o cidadão pode acompanhar solicitações de consultas, exames e procedimentos registrados na rede pública. O sistema utiliza CPF ou Cartão Nacional de Saúde (CNS), além da data de nascimento.
A lista é dinâmica e pode mudar conforme a classificação dos pacientes e a prioridade dos casos urgentes. A ferramenta permite acompanhar a solicitação, mas não substitui o atendimento nem garante, por si só, uma data imediata para a realização do procedimento.
Carretas da saúde já atenderam Humaitá
Uma das iniciativas que alcançaram o interior é o programa federal Agora Tem Especialistas, que utiliza unidades móveis para aproximar consultas, exames e procedimentos especializados da população.
Em balanço divulgado em 25 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que as carretas em funcionamento no Amazonas já haviam realizado mais de 10 mil procedimentos e atendido 3,6 mil pessoas em oito municípios.
Entre os municípios contemplados estão Humaitá, Apuí, Boca do Acre, Guajará, Lábrea, Manicoré, Parintins e Tabatinga.
O desafio de quem vive longe da capital
No Amazonas, a distância entre os municípios, as condições de transporte e a concentração de serviços de média e alta complexidade em Manaus tornam a organização da rede de saúde especialmente importante.
Para quem mora em Humaitá e em outras cidades do sul do estado, o acesso não depende apenas da existência de hospitais e equipamentos. Também envolve disponibilidade de especialistas, agendamento, transporte sanitário, realização de exames, continuidade do tratamento e acesso a cirurgias.
Nesse contexto, unidades móveis, atendimento por telessaúde, serviços regionais e transporte de pacientes podem ajudar a reduzir deslocamentos. Entretanto, essas iniciativas precisam funcionar de maneira integrada com as unidades municipais e estaduais para que o paciente consiga concluir o tratamento.
O atendimento especializado às pessoas com deficiência também exige estrutura permanente, profissionais capacitados e acompanhamento contínuo, não apenas consultas isoladas.
O que o eleitor precisa acompanhar nas propostas
As discussões do debate colocam questões importantes para a população: quantas pessoas aguardam consultas, exames e cirurgias? Quanto tempo os pacientes permanecem nas filas? Quais especialidades concentram a maior demanda? E quais medidas podem garantir atendimento mais rápido, inclusive no interior?
No caso das parcerias com a rede privada, será importante acompanhar os recursos destinados aos contratos, os mecanismos de fiscalização e os resultados efetivamente alcançados. Na proposta de ampliar o atendimento especializado, será necessário conhecer o cronograma de implantação, a estrutura prevista e a quantidade de pacientes que poderão ser atendidos.
A comparação entre os projetos também deve considerar os programas que já existem, os resultados comprovados, as demandas ainda não atendidas e a capacidade de cada proposta de melhorar o acesso ao SUS em todo o território amazonense.
A saúde pública, portanto, vai além das promessas de campanha: o desafio é transformar os anúncios em atendimento acessível, reduzir o tempo de espera e garantir que moradores de Humaitá e das demais cidades do interior tenham acesso aos serviços de que precisam.

