SOB NÉVOA TÓXICA E ALERTA CRÍTICO, AMAZONAS RECEBE SOCORRO FEDERAL PARA CONTER AVANÇO DO FOGO
Foto - Nayandra Oliveira/Rios de Notícias: Manaus entra em estado de alerta para chuvas nesta segunda-feira
Com Manaus registrando índices extremos de poluição do ar e operações aéreas afetadas pela fumaça, União mobiliza repasses milionários e força-tarefa para combater queimadas no interior e na região metropolitana.
Sob uma densa camada de fumaça que voltou a cobrir bairros inteiros e a prejudicar a visibilidade, a capital do Amazonas e os municípios do interior entram nesta semana enfrentando o momento mais severo da crise ambiental de 2026. Diante da escalada dos incêndios florestais — que registraram salto expressivo no estado em outubro —, o Governo Federal oficializou o envio de reforços emergenciais, incluindo o repasse de R$ 14,3 milhões em parcela única para ações de resposta a desastres e a mobilização de uma força-tarefa interministerial com mais de 290 brigadistas e apoio de aeronaves.
O cenário nesta segunda-feira reflete o impacto direto do transporte de cinzas e material particulado vindo principalmente do Sul do Estado (com forte concentração nos eixos da BR-230 e BR-319) e de municípios da Região Metropolitana como Autazes e Careiro. Embora Manaus responda por menos de 1% dos focos de calor, a geografia e a direção dos ventos converteram a cidade em um funil de poluição, empurrando o Índice de Qualidade do Ar (AQI) para níveis classificados como altamente insalubres e perigosos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Operação de guerra e logística afetada
Para contornar o gargalo operacional, a união entre o Governo do Amazonas e o Governo Federal desdobrou a aplicação de aviões agrícolas Air Tractor e cargueiros KC-390 para lançamentos de água, somados ao envio de contingentes especializados do Corpo de Bombeiros de São Paulo e do Ibama/Prevfogo. Contudo, as próprias operações de combate têm enfrentado contratempos operacionais: nos momentos de maior densidade de fumaça ao amanhecer, aeronaves chegam a ter de aguardar em solo por teto mínimo de visibilidade para decolagem segura.
Paralelamente às frentes de contenção direta no fogo, o Ministério da Saúde passou a monitorar a rede hospitalar quanto ao fornecimento de oxigênio e atendimento a problemas respiratórios, que tiveram alta expressiva nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Recomendações de saúde pública foram renovadas para a população em geral, orientando a suspensão de atividades físicas ao ar livre, vedação de frestas em residências e uso de máscaras de proteção por idosos e crianças.
Apelo por rigor na fiscalização
Com 79% dos focos registrados em assentamentos rurais e terras públicas não destinadas, a Polícia Civil e o Ibama intensificaram os embargos cautelares e a abertura de procedimentos investigatórios para identificar os responsáveis pelo uso irregular do fogo. Órgãos de controle e lideranças do Executivo cobram a manutenção permanente da fiscalização no corredor da BR-319, de onde sopra a maior parcela do ar poluído que hoje sufoca os centros urbanos do Amazonas.

