HUMAITÁ VALIDA DIAGNÓSTICO DA INFÂNCIA NO 1º FÓRUM DO SELO UNICEF
Evento reuniu poder público e sociedade para analisar indicadores sociais e definir prioridades para o plano 2025–2028
O município de Humaitá realizou nesta quarta-feira, 3, as mesas de discussões do 1º Fórum Comunitário do Selo UNICEF – Edição 2025–2028, um momento decisivo para a construção das políticas públicas voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes. O encontro teve como base os dados oficiais do Relatório de Linha de Base do UNICEF 2024 e contou com a participação de representantes do poder público, conselhos, lideranças comunitárias e sociedade civil organizada.
Humaitá possui atualmente população estimada (dados de 2024) em 57.473 habitantes, sendo 21.768 crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, incluindo 4.754 indígenas. A partir desse cenário, os participantes analisaram indicadores essenciais nas áreas de saúde, educação, assistência social, saneamento e proteção contra violências.
Entre os dados apresentados, destacam-se resultados positivos e desafios importantes. Na área da saúde, a cobertura vacinal contra a poliomielite atingiu 96% em 2024, superando a meta de 95%, alcançando 910 crianças. O registro do estado nutricional de crianças menores de 10 anos chegou a 85%, acima da meta de 80%, com acompanhamento de 8.712 crianças.
Por outro lado, o município ainda enfrenta desafios sensíveis. Em 2023, foram registrados 235 nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos, sendo 28 de mães entre 10 e 14 anos. Na educação, o abandono escolar no ensino fundamental ficou em 0,8%, índice superior à meta de 0,4%. Já o percentual de alunos alfabetizados no 2º ano é de 57%, abaixo da meta de 68%.
Quanto à infraestrutura escolar, apenas 59% das escolas da rede municipal possuem acesso à água por fontes adequadas, quando a meta é de 75%. O mesmo percentual se repete no saneamento básico, cuja meta é de 71%. Na assistência social, a média mensal de famílias acompanhadas pelo PAIF em 2024 foi de 100 famílias, abaixo da meta de 130.
Os números também revelam registros de casos de violência contra crianças e adolescentes, acompanhados por serviços de saúde, assistência social e sistema de justiça, reforçando a necessidade de ações integradas de proteção.
De acordo com Carlos Abreu, articulador do Selo UNICEF em Humaitá, o resultado do Fórum foi positivo. “As discussões foram produtivas e mostraram o compromisso de todos os setores envolvidos. A partir desse diagnóstico realista, poderemos construir um Plano de Ação eficiente para os próximos quatro anos”, destacou.
O objetivo do 1º Fórum Comunitário foi apresentar e validar o diagnóstico da situação da infância e adolescência no município, além de analisar, debater, ajustar e aprovar o Plano de Ação Municipal pelos Direitos de Crianças e Adolescentes para o período de 2025 a 2028. O documento será a principal ferramenta de planejamento para que Humaitá avance nos indicadores sociais e concorra à certificação do Selo UNICEF.
Participaram do encontro conselheiros de direitos e tutelares, profissionais da saúde, educação, assistência social, lideranças comunitárias e religiosas, representantes de povos indígenas, comunicadores, artistas, setor empresarial, além de crianças, adolescentes e suas famílias.
O Plano de Ação aprovado no Fórum vai orientar as políticas públicas do município nos próximos anos, com foco na redução das desigualdades, no fortalecimento da proteção social e na promoção de melhores condições de vida para crianças e adolescentes de Humaitá.

