PRIMEIRO DEBATE AO GOVERNO DO AMAZONAS É MARCADO POR CONFRONTOS E AUSÊNCIA DE ROBERTO CIDADE
Foto - Reprodução/AM POST
Encontro promovido pela Band Amazonas reuniu Omar Aziz, Davi Almeida, Maria do Carmo e Israel Munduruku; candidato à reeleição justificou ausência nas redes sociais
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas nas eleições de 2026 foi realizado neste domingo, 9, e teve como principal ausência o atual governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade. Promovido pela Band Amazonas, o encontro reuniu Israel Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Davi Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL).
Dividido em cinco blocos, o debate foi marcado por perguntas diretas, críticas entre os candidatos e discussões sobre saúde, segurança pública, educação, combate à violência contra a mulher, agricultura e políticas para os povos indígenas.
Roberto Cidade não participou do encontro. Em publicação nas redes sociais, o governador afirmou que decidiu não comparecer por considerar que o debate seria marcado por ataques entre os adversários. Segundo ele, a opção foi dedicar o tempo às ações de governo e não participar do que classificou como “baixaria da velha política”.
Candidatos apresentam motivações e propostas
No primeiro bloco, os quatro candidatos presentes responderam sobre as razões que os levaram a disputar o Governo do Amazonas e sobre as experiências que consideram relevantes para ocupar o cargo.
Israel Munduruku afirmou que pretende apresentar propostas diferentes das que considera ultrapassadas. Omar Aziz apresentou algumas de suas propostas, entre elas a criação de uma cidade universitária, e também mencionou a ausência de Roberto Cidade.
Davi Almeida destacou a experiência acumulada em diferentes cargos públicos e os resultados de sua administração à frente da Prefeitura de Manaus. Maria do Carmo ressaltou sua trajetória na área da educação e afirmou contar com o apoio da família Bolsonaro.
Saúde e segurança dominam os confrontos
O segundo bloco foi dedicado a perguntas diretas entre os candidatos. Israel Munduruku questionou Omar Aziz sobre as ações que pretende realizar caso seja eleito novamente. O ex-governador citou a construção de 21 hospitais durante sua gestão e defendeu a implantação de oito hospitais regionais.
Israel, por sua vez, criticou a concentração dos investimentos em saúde na capital e defendeu a ampliação dos serviços para o interior do Estado.
Na sequência, Omar Aziz questionou Davi Almeida sobre segurança pública. O candidato do Avante citou medidas adotadas durante o período em que ocupou o cargo de governador interino e também durante sua gestão como prefeito de Manaus.
Omar defendeu a ampliação da ronda nos bairros, o funcionamento de delegacias 24 horas e a realização de novos concursos públicos para a área de segurança. Davi criticou a carga de trabalho atribuída aos policiais por determinados programas e defendeu maior integração entre as forças de segurança.
Outro embate envolveu Davi Almeida e Maria do Carmo, desta vez sobre educação. Maria destacou sua trajetória no setor e afirmou que essa experiência a credencia para governar o Estado. Davi contestou a declaração e questionou obras e indicadores relacionados à instituição de ensino ligada à candidata.
Maria respondeu que ainda busca financiamento para determinadas obras e afirmou que pretende realizar as entregas utilizando recursos próprios.
Povos indígenas e políticas públicas
Ainda no segundo bloco, Maria do Carmo questionou Israel Munduruku sobre propostas destinadas aos povos indígenas.
O candidato criticou políticas associadas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu a priorização de ações voltadas à cultura, educação e valorização dos conhecimentos tradicionais.
Maria fez críticas aos governos do PT na área, enquanto Israel reafirmou a necessidade de ampliar políticas públicas direcionadas aos povos indígenas.
Jornalistas questionam candidatos sobre gestão
No terceiro bloco, as perguntas foram formuladas por jornalistas da Band e da Rádio BandNews Difusora Manaus.
Na área da saúde, Davi Almeida defendeu que os serviços de urgência e emergência não sejam terceirizados. Israel Munduruku criticou o modelo de gestão hospitalar e afirmou que pretende ampliar a participação direta do governo na administração das unidades.
Na segurança pública, Israel defendeu investimentos em inteligência e estrutura policial. Omar Aziz apresentou como propostas a convocação de mil policiais, a realização de concurso para 5 mil agentes e delegados e a ampliação de ações preventivas.
O debate sobre a origem dos recursos para financiar as propostas levou Omar a defender medidas de ajuste fiscal e a revisão de contratos mantidos pelo governo estadual.
Maria do Carmo criticou a atual administração e afirmou que haveria uma organização criminosa, segundo sua avaliação, atuando na dilapidação do Estado. Omar rebateu e afirmou que o problema do Amazonas não seria a falta de recursos, mas de gestão.
Na educação, Maria defendeu a transformação das escolas estaduais em unidades de ensino integral. Davi citou medidas adotadas durante sua administração em Manaus e afirmou que pretende levar iniciativas semelhantes para a rede estadual.
Eleitores levam questões ao debate
No quarto bloco, as perguntas foram formuladas por eleitores e abordaram temas como feminicídio, educação, cumprimento de promessas de campanha e agricultura.
Maria do Carmo defendeu a criação e ampliação de uma rede de apoio às mulheres, com delegacias especializadas e casas de acolhimento. A candidata afirmou que pretende reduzir os índices de feminicídio no Estado.
Omar Aziz também defendeu maior acolhimento às vítimas e afirmou que sua candidata a vice-governadora deverá atuar diretamente nessa área.
Na educação, Omar e Israel defenderam melhorias na estrutura das escolas, valorização dos professores e reforço escolar no contraturno.
Questionado sobre o cumprimento de promessas de campanha, Israel afirmou que pretende manter diálogo permanente com a população e fortalecer os conselhos como instrumentos de participação social na administração pública.
A agricultura também esteve entre os temas. Davi Almeida apresentou propostas para o setor, incluindo a instalação de uma fábrica de ração no interior.
Maria questionou algumas das ações apresentadas pelo adversário e voltou a fazer referência à instituição de ensino ligada a Davi. Na réplica, o candidato contestou as críticas e citou novamente a avaliação do curso de medicina da instituição.
Considerações finais
No quinto e último bloco, os quatro candidatos presentes tiveram três minutos para apresentar suas considerações finais.
Maria do Carmo pediu aos eleitores que avaliem a situação das principais áreas do Estado antes de escolher o próximo governador. Ela também apresentou sua candidatura como alternativa aos governos anteriores.
Davi Almeida afirmou que o Amazonas atravessa, segundo sua avaliação, um dos piores momentos nas áreas de saúde, segurança e educação. O candidato voltou a criticar a ausência de Roberto Cidade no debate e destacou ações realizadas durante sua gestão como prefeito de Manaus.
Omar Aziz defendeu a valorização dos professores, a ampliação das escolas em tempo integral, investimentos na produção rural e novos concursos para a segurança pública. Também citou a proposta de delegacias funcionando 24 horas e ações voltadas ao atendimento de pessoas dependentes de drogas.
Israel Munduruku encerrou o debate defendendo um modelo de governo baseado no diálogo com a população, no fortalecimento dos conselhos e na valorização dos servidores públicos. O candidato também propôs a integração entre ciência e conhecimentos tradicionais como estratégia para promover o desenvolvimento do Amazonas.
Com a ausência do atual governador, o primeiro debate da corrida eleitoral de 2026 expôs as principais propostas e diferenças de discurso entre os quatro candidatos presentes, além de estabelecer os primeiros confrontos públicos da disputa pelo comando do Governo do Amazonas.

