CÂMARA DE HUMAITÁ DEBATE IMPACTO DO MANGABAFEST E PREOCUPAÇÃO COM NOVAS OPERAÇÕES NO RIO MADEIRA
Vereadores destacaram a importância do Festival para a economia local e cobraram alternativas para trabalhadores afetados por operações de fiscalização no extrativismo mineral
A Câmara Municipal de Humaitá realizou, na manhã desta terça-feira, 15, mais uma sessão ordinária do período legislativo de 2026. Durante o primeiro expediente, dois assuntos ganharam destaque nos pronunciamentos dos vereadores: os impactos culturais e econômicos do XVI MangabaFest e do 40º Festival Folclórico de Humaitá e a preocupação com novas operações de fiscalização no extrativismo mineral nas águas do Rio Madeira.
MangabaFest é destacado como força da cultura e da economia local
O XVI MangabaFest e o 40º Festival Folclórico de Humaitá foram lembrados pelos parlamentares pela dimensão cultural do evento e pela movimentação econômica gerada durante os dias de programação.
Além de valorizar as manifestações culturais e folclóricas do município, o festival movimenta diferentes setores da economia local, beneficiando restaurantes, bares, hotéis e estabelecimentos similares. O evento também representa uma oportunidade de renda para trabalhadores da economia informal, artesãos e comerciantes que instalam barracas no Parque de Exposições Renato Gonçalves.
Os vereadores ressaltaram a beleza das apresentações, a participação popular e a organização do evento, considerado um dos principais momentos do calendário cultural de Humaitá.
Vereadores manifestam preocupação com operações no Rio Madeira

Outro tema que provocou amplo debate foi a possibilidade de novas operações de fiscalização contra atividades de extrativismo mineral no Rio Madeira.
A preocupação apresentada pelos parlamentares está relacionada aos impactos sociais e econômicos que, segundo eles, podem atingir comunidades ribeirinhas do município, especialmente trabalhadores que dependem direta ou indiretamente da atividade para garantir sua renda.
O vereador Cristovo de Uruapiara destacou a situação enfrentada por diversas comunidades, afirmando que já existe falta de recursos em localidades onde trabalhadores estão impedidos de exercer suas atividades. Para o parlamentar, a realização de novas operações precisa ser acompanhada de alternativas para as famílias que dependem economicamente dessas atividades.
O vereador Dr. Ubiratã também abordou o assunto e manifestou preocupação com os efeitos que novas operações podem provocar no extrativismo mineral desenvolvido na região do Rio Madeira.
Presidente da Colônia de Pescadores alerta para impactos no setor pesqueiro

O vereador Samuel da Colônia, que também preside a Colônia de Pescadores de Humaitá, chamou atenção para os possíveis impactos ambientais e sociais relacionados às operações.
Segundo o parlamentar, a preocupação não se limita aos trabalhadores do extrativismo mineral. Ele afirmou que o setor pesqueiro também pode ser prejudicado, principalmente em razão de possíveis alterações na qualidade da água e dos impactos provocados pela inutilização de balsas durante operações.
Samuel destacou ainda que muitas comunidades ribeirinhas utilizam diretamente as águas do Rio Madeira para o consumo, aumentando a preocupação com qualquer situação que possa comprometer a qualidade da água.
O vereador também relatou uma percepção de redução na quantidade de peixes em determinadas áreas, o que, segundo ele, aumenta a preocupação das famílias que dependem da pesca para alimentação e geração de renda.
Manoel Domingos relata preocupação após visitas às comunidades

O presidente da Câmara Municipal de Humaitá, Manuel Domingos, também levou ao plenário o relato de visitas realizadas durante o final de semana a diversas comunidades ribeirinhas.
Segundo o presidente, foi possível observar de perto as dificuldades enfrentadas pelos moradores e o clima de preocupação diante da possibilidade de novas operações.
Manoel Domingos afirmou que, em alguns casos, as balsas atingidas pelas operações também funcionam como moradia para trabalhadores, e que a destruição ou inutilização dessas estruturas pode gerar consequências sociais que acabam recaindo sobre o município.
“Os estragos acontecem, as balsas são destruídas, também são muitas residências e os problemas sociais acabam ficando para o município”, destacou o presidente.
De acordo com Manoel Domingos, a Câmara Municipal já encaminhou solicitações a autoridades das esferas estadual e federal em busca de providências para a situação.
O presidente informou ainda que a documentação solicitada já foi encaminhada aos representantes em Manaus e Brasília, incluindo um levantamento socioeconômico das comunidades ribeirinhas, com o objetivo de apresentar a realidade vivenciada pelas famílias e subsidiar a busca por medidas alternativas.
Debate busca conciliar fiscalização, meio ambiente e proteção social
Durante os pronunciamentos, os vereadores defenderam a necessidade de discutir a situação de forma ampla, considerando simultaneamente a proteção ambiental do Rio Madeira, a atividade pesqueira, o abastecimento das comunidades ribeirinhas e a realidade econômica das famílias que dependem das atividades desenvolvidas na região.
O debate na Câmara de Humaitá reforça a preocupação do município diante de possíveis novas ações de fiscalização e a necessidade, apontada pelos parlamentares, de que medidas de proteção ambiental sejam acompanhadas de alternativas socioeconômicas para as comunidades atingidas.
Os dois temas — a força econômica e cultural do MangabaFest e a situação das comunidades ribeirinhas diante das operações no Rio Madeira — dominaram parte dos debates da sessão ordinária desta terça-feira.

