ÚLTIMO DEBATE DO PRIMEIRO TURNO COLOCA INTERIOR, BR-319 E DESENVOLVIMENTO NO CENTRO DA DISPUTA PELO GOVERNO DO AMAZONAS
Frame - G1 - Debate dos candidatos ao governo do Amazonas
Omar Aziz, Roberto Cidade, Maria do Carmo, David Almeida e Isael Munduruku apresentaram propostas diferentes para saúde, infraestrutura, segurança, meio ambiente e geração de renda; para Humaitá e o Sul do Amazonas, BR-319, serviços públicos e economia regional estiveram entre os temas de maior interesse
O último debate do primeiro turno entre os candidatos ao Governo do Amazonas colocou o interior do Estado no centro das discussões. Realizado na noite desta terça-feira, 29, pela Rede Amazônica, o encontro reuniu Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Brasil), Maria do Carmo (PL), David Almeida (Avante) e Isael Munduruku (Rede), na última oportunidade de confronto direto entre os candidatos antes da votação de 4 de outubro.
Dividido em quatro blocos, o debate abordou infraestrutura, educação, saneamento, bioeconomia, geração de emprego e renda, segurança pública, saúde, turismo, queimadas e desenvolvimento dos municípios. Em vários momentos, as propostas apresentadas para o interior permitem estabelecer uma relação direta com problemas enfrentados por Humaitá e pelos demais municípios do Sul do Amazonas.
BR-319 volta ao centro da discussão
Para Humaitá, um dos pontos de maior relevância foi a discussão sobre logística e BR-319.
Omar Aziz apresentou a recuperação da rodovia como parte de uma estratégia mais ampla de integração logística do Amazonas. Durante o debate, atribuiu à articulação com o senador Eduardo Braga participação na viabilização do reasfaltamento da BR-319 e citou também a construção de um novo porto em Manaus, com investimento superior a R$ 1 bilhão, segundo sua declaração.
A proposta de Omar também incluiu a criação de uma companhia estatal de aviação por meio de parceria público-privada, com o objetivo declarado de reduzir o custo das passagens e ampliar o fluxo turístico para o Amazonas.
Roberto Cidade adotou outra abordagem ao tratar da BR-319. O candidato afirmou que o Governo do Amazonas cumpriu sua parte ao conceder a licença necessária e ressaltou que a execução da rodovia é responsabilidade do Governo Federal. Ao mesmo tempo, apresentou propostas de pavimentação das cidades do interior e linhas de crédito para recuperação do sistema viário municipal.
Para Humaitá, localizado em um dos principais eixos rodoviários do Sul do Amazonas, a discussão tem efeito direto sobre transporte, circulação de mercadorias, acesso a serviços, turismo e integração com Rondônia e outros municípios.
David Almeida fala em levar modelo de Manaus para o interior
David Almeida respondeu a questionamentos sobre as diferenças entre os serviços oferecidos na capital e no interior defendendo a transferência de experiências de sua administração municipal para os demais municípios.
Entre as áreas citadas pelo candidato estão agricultura familiar, ramais, unidades básicas de saúde, escolas e infraestrutura. David também mencionou a regularização fundiária e o Zoneamento Ecológico-Econômico como instrumentos para dar segurança jurídica aos produtores e estimular o desenvolvimento econômico.
Para o Sul do Amazonas, a proposta dialoga diretamente com uma realidade formada por produtores rurais, comunidades ribeirinhas, assentamentos e localidades que dependem de estradas, ramais e serviços públicos descentralizados.
Em Humaitá, onde a ligação entre a sede municipal e comunidades rurais é uma questão permanente, a discussão sobre ramais, produção agrícola, saúde e regularização fundiária possui impacto especialmente relevante.
Maria do Carmo aposta na bioeconomia e cobra estrutura para o interior
Maria do Carmo concentrou parte de sua participação na bioeconomia como alternativa para geração de emprego e renda nos municípios do interior.
A candidata defendeu o aproveitamento econômico da biodiversidade amazônica e afirmou que o interior precisa transformar seus recursos naturais em oportunidades econômicas para a população.
Em outro momento, ao discutir os problemas ambientais, Maria do Carmo destacou questões como queimadas, secas, cheias, saneamento e abastecimento de água. Também defendeu a compra de aeronaves para combate aos incêndios e ações contra lixões a céu aberto.
Para Humaitá e municípios como Manicoré, Apuí, Novo Aripuanã, Lábrea e Boca do Acre, a discussão ganha importância em razão da combinação entre produção rural, floresta, queimadas, recursos naturais e necessidade de geração de renda.
Segurança pública: propostas diferentes para o interior
A segurança pública também apresentou diferenças entre os candidatos.
Omar Aziz falou na realização de concursos e na ampliação do efetivo policial. Entre as propostas apresentadas, citou a convocação de mil aprovados nos concursos das polícias Civil e Militar e a abertura de nova seleção para cinco mil policiais.
Para os municípios do interior, Omar também defendeu 10 mil guardas municipais, com treinamento, equipamentos e armamento, além de delegacias funcionando 24 horas.
Isael Munduruku apresentou uma abordagem voltada à prevenção e participação comunitária. O candidato afirmou que segurança pública não deve depender exclusivamente da atuação policial e propôs recursos para associações comunitárias como forma de fortalecer as comunidades diante da influência do tráfico.
Para Humaitá, a discussão envolve não apenas policiamento urbano, mas também comunidades rurais, distritos e grandes extensões territoriais onde o acesso rápido aos serviços de segurança é mais difícil.
Saúde e o desafio de levar atendimento especializado ao interior
A saúde foi um dos principais pontos de confronto entre Roberto Cidade e David Almeida.
Cidade apresentou propostas de ampliação da estrutura de atendimento, incluindo 11 UPAs, SPAs com atendimento 24 horas e cinco barcos-hospital. Também citou hospitais especializados para mulheres e idosos e um hospital universitário da UEA.
O tema dos barcos-hospital chama atenção particularmente para o Amazonas profundo, onde comunidades ribeirinhas dependem de estruturas móveis para receber atendimento médico.
David, por sua vez, defendeu a expansão para o interior de experiências utilizadas em Manaus, incluindo unidades de saúde e outras estruturas de serviços públicos.
Para Humaitá, a discussão ocorre em um cenário no qual o atendimento às comunidades ribeirinhas e aos moradores de localidades distantes da sede continua sendo uma questão estratégica.
Meio ambiente: desenvolvimento ou resposta às crises climáticas?
Um dos debates mais diretamente relacionados ao Sul do Amazonas ocorreu em torno da questão ambiental.
Maria do Carmo concentrou sua fala na necessidade de melhorar a resposta do Estado diante de secas, enchentes e queimadas, além de defender investimentos em estrutura para combate aos incêndios e abastecimento de água no interior.
Omar Aziz enfatizou uma perspectiva diferente: defendeu a conciliação entre preservação ambiental e exploração econômica dos recursos naturais, citando como exemplos o potássio de Autazes e a BR-319. Também defendeu mudanças nas regras relacionadas à mineração para permitir exploração considerada sustentável.
A questão é particularmente sensível para o Sul do Amazonas, região que reúne atividades agropecuárias, áreas de floresta, unidades de conservação, terras indígenas e importantes rios.
Emprego, educação e permanência dos jovens
A geração de emprego e a qualificação profissional também apareceram no confronto.
Maria do Carmo associou a bioeconomia à criação de oportunidades no interior. Isael Munduruku defendeu articulação com o Governo Federal para ampliar o acesso à moradia e apresentou propostas relacionadas à população de baixa renda.
Omar Aziz falou em reforço escolar, atividades no contraturno e retomada do programa Jovem Cidadão.
Roberto Cidade apresentou propostas voltadas à educação e às crianças atípicas, incluindo mutirões de neuropediatria no interior e ampliação do auxílio estadual destinado a famílias de pessoas com deficiência.
Para municípios como Humaitá, o desafio apresentado no debate ultrapassa a construção de escolas: envolve qualificação profissional, acesso ao ensino técnico, permanência dos jovens no município e criação de oportunidades econômicas fora da capital.
O que o debate representa para Humaitá e o Sul do Amazonas?
Embora o debate tenha sido realizado em Manaus e tenha incluído confrontos relacionados à administração da capital, uma parcela significativa das propostas apresentadas alcança diretamente o interior.
Para Humaitá, cinco temas se destacam:
BR-319 e logística: a recuperação da rodovia é estratégica para a ligação com Porto Velho, Manaus e demais municípios do eixo regional.
Saúde: a ampliação de hospitais, unidades, barcos-hospital e atendimento especializado pode alterar o acesso da população do interior a procedimentos que hoje exigem deslocamento.
Produção e regularização fundiária: propostas envolvendo agricultura familiar, ramais, crédito, segurança jurídica e bioeconomia atingem diretamente produtores e comunidades rurais.
Segurança: o aumento do efetivo policial, delegacias funcionando 24 horas e participação comunitária são propostas com impactos diferentes sobre municípios extensos e comunidades afastadas.
Meio ambiente e queimadas: o Sul do Amazonas está entre as regiões que concentram parte importante das discussões sobre incêndios florestais, fiscalização, produção rural e exploração econômica dos recursos naturais.
Última palavra antes das urnas
O debate da Rede Amazônica encerrou uma sequência de confrontos entre os candidatos na televisão antes do primeiro turno. O encontro mostrou que, apesar das diferenças entre os cinco concorrentes, infraestrutura, saúde, segurança, geração de renda, meio ambiente e integração do interior permanecem entre os principais desafios colocados para o próximo governo.
Para o eleitor do Sul do Amazonas, entretanto, o debate deixa uma questão concreta: como transformar propostas estaduais em serviços e investimentos que efetivamente cheguem a municípios como Humaitá, Manicoré, Apuí, Lábrea, Boca do Acre e Novo Aripuanã?
A resposta dependerá, além das propostas apresentadas durante a campanha, da capacidade de execução do próximo governo e da articulação com os municípios e com o Governo Federal — especialmente em temas como BR-319, infraestrutura federal, saúde especializada, segurança e desenvolvimento sustentável.
O primeiro turno das eleições acontece no próximo domingo, 4 de outubro.

