OPERAÇÃO MAPURU: PF E IBAMA MIRAM ESQUEMA DE EXTRAÇÃO E COMÉRCIO ILEGAL DE MADEIRA EM BOCA DO ACRE
Ação cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e estabelecimentos comerciais; investigação aponta que madeira retirada clandestinamente da Terra Indígena Valparaíso era transportada pelo Rio Purus até a área urbana de Boca do Acre
A Polícia Federal, em ação conjunta com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deflagrou na quinta-feira, 24, a Operação Mapuru, destinada a combater um esquema investigado de extração, transporte, beneficiamento e comercialização irregular de madeira proveniente da Terra Indígena Valparaíso, localizada no município de Boca do Acre, no sul do Amazonas.
De acordo com a Polícia Federal, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e estabelecimentos comerciais investigados. Entre os alvos estão duas madeireiras apontadas como possíveis receptoras, beneficiadoras e comercializadoras da madeira que teria sido retirada ilegalmente da área indígena.
Madeira era retirada da terra indígena e transportada pelo Rio Purus
As investigações apontam que a madeira era retirada clandestinamente do interior da Terra Indígena Valparaíso e, posteriormente, transportada por via fluvial pelo Rio Purus.
O material chegaria à área urbana de Boca do Acre, onde, segundo os elementos reunidos pela investigação, seria destinado a estabelecimentos comerciais.
A PF trabalha com a hipótese de uma atuação coordenada entre os investigados, envolvendo diferentes etapas da cadeia: desde a retirada da madeira dentro da área protegida, passando pelo transporte e beneficiamento, até a tentativa de inserção do produto no mercado consumidor.
A investigação, portanto, não se limita à identificação de possíveis responsáveis pela retirada da madeira. O foco também está na apuração de quem receberia, processaria e comercializaria o produto.
Nove mandados foram cumpridos
A operação mobilizou policiais federais e servidores do Ibama para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, os mandados tiveram como alvo pessoas físicas e estabelecimentos comerciais que estão sob investigação.
Entre os locais estão duas madeireiras que, conforme a apuração, seriam possíveis receptoras da madeira extraída da Terra Indígena Valparaíso, além de possíveis pontos de beneficiamento e comercialização.
A operação de busca e apreensão tem como objetivo reunir elementos que possam esclarecer a participação de cada investigado e verificar a existência de documentos, equipamentos, registros comerciais e outros materiais relacionados às atividades investigadas.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou, em sua nota oficial, nomes dos investigados nem informou detalhes sobre eventuais prisões decorrentes da operação.
Ibama atua na fiscalização ambiental
A participação do Ibama ocorreu tanto no apoio técnico às equipes policiais quanto na adoção das medidas administrativas que eventualmente sejam necessárias diante das irregularidades encontradas durante as diligências.
O trabalho conjunto entre a PF e o órgão ambiental busca alcançar não apenas a extração ilegal, mas também as demais etapas que permitem que a madeira retirada de uma área protegida entre no circuito comercial.
Segundo a PF, os servidores do Ibama envolvidos na operação ficaram responsáveis pelo apoio técnico e pelas providências administrativas cabíveis diante de eventuais irregularidades constatadas durante o cumprimento dos mandados.
Investigação envolve cadeia completa da atividade ilegal
Um dos pontos centrais da Operação Mapuru é justamente a possibilidade de existência de uma cadeia organizada.
Segundo a investigação, o fluxo começaria dentro da Terra Indígena Valparaíso, com a retirada clandestina das árvores. Depois, a madeira seria transportada pelo Rio Purus até Boca do Acre, onde poderia passar por beneficiamento e posteriormente ser comercializada.
Esse tipo de investigação busca identificar não apenas quem executa a extração, mas também os possíveis responsáveis pelas etapas seguintes da cadeia econômica.
A Polícia Federal ressalta, entretanto, que as pessoas e empresas investigadas ainda estão sob apuração. Eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas no decorrer da investigação e, quando for o caso, mediante decisão judicial.
Impacto ambiental e proteção de território indígena
Além dos possíveis prejuízos econômicos decorrentes da comercialização irregular de madeira, a investigação envolve uma questão ambiental e territorial relevante: a exploração de recursos florestais dentro de uma Terra Indígena.
A retirada clandestina de madeira de áreas protegidas pode provocar perda de cobertura vegetal, abertura de acessos para novas atividades ilegais e impactos sobre os recursos naturais utilizados pelas comunidades que vivem no território.
No caso de Boca do Acre, a localização estratégica do município e a utilização do Rio Purus como rota de transporte tornam a fiscalização da cadeia madeireira um desafio que envolve áreas rurais, fluviais e estabelecimentos comerciais na zona urbana.
Operação ocorre em meio à intensificação da fiscalização ambiental no sul do Amazonas
A Operação Mapuru ocorre em uma região que vem recebendo atenção das autoridades federais em razão de diferentes modalidades de crimes ambientais.
O sul do Amazonas concentra áreas de floresta, territórios indígenas e importantes rotas fluviais e terrestres, além de municípios que fazem ligação econômica e logística com o Acre e Rondônia.
Nesse cenário, operações de inteligência e fiscalização procuram interromper não apenas a retirada ilegal dos recursos naturais, mas também as estruturas responsáveis por transportar, beneficiar e comercializar os produtos.
O que acontece agora
Com o cumprimento dos mandados, o material apreendido deverá ser analisado pela investigação. A partir desses elementos, a Polícia Federal poderá aprofundar a apuração sobre a origem da madeira, a participação de cada investigado e a eventual existência de uma estrutura organizada para retirar e colocar o produto no mercado.
O Ibama também poderá adotar medidas administrativas caso sejam confirmadas infrações ambientais durante as diligências.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam.
A Operação Mapuru representa, portanto, uma ofensiva direcionada não somente contra a extração clandestina de madeira, mas contra toda a cadeia investigada — da retirada em área protegida ao transporte, beneficiamento e possível comercialização do produto em Boca do Acre.
Fonte principal: Polícia Federal

